sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Sobre desenvolver seu estilo e compras inteligentes!

Amanhã participarei de um bazar promovido por uma amiga. Será um evento privado para poucas pessoas. O objetivo é que todo mundo junte roupas e acessórios que estão em boas condições mas que andam esquecidos no fundo do armário, por várias razões. Podem ser roupas que não servem, que compramos e não usamos, ou usamos muito pouco, e o mesmo princípio vale para os acessórios.

Sabe aquelas maquiagens "básicas" e super "essenciais"?
 Eu achei a ideia muito interessante, hoje separei várias peças de roupas, acessórios, e maquiagens que ou foram usadas uma vez ou apenas testadas. Já faz alguns anos que tenho evitado acumular roupas. Nem sempre foi assim, por uma parte significativa da minha vida eu guardava sapatos e roupas que não me serviam mais,  fisicamente ou psicologicamente, por puro apego. Achava que algum dia poderiam ser úteis, que viria a precisar de tais peças. Mas olhando agora em retrospecto posso afirmar que nenhuma peça ou acessório que eu tenha passado mais de dois anos sem usar poderia ser útil.  Se uma peça está guardada a tanto tempo é bem grande a chance dela representar um apego emocional ao invés de ser uma utilidade na nossa vida.

Roupa de trabalho de alguns é a de festa de outros, é relativo.
Podemos dividir as roupas que guardamos no nosso armário em  3 tipos:
  • Aquelas que precisamos e usamos com frequência em função da nossa rotina. São nosso uniforme, podem roupas sociais para um emprego formal, podem ser roupas confortáveis para funções mais informais onde o conforto é mais importante. Todo mundo tem um conjunto de roupas cuja função primordial é compor o visual da rotina, seja ela qual for, com a necessidade específica de cada pessoa.
  • Roupas para ocasiões especiais. Em geral não precisamos de muitas peças desta natureza, ou pelo menos precisamos de menos peças para ocasiões especiais do que aquela quantidade destinada à rotina. Podem ser roupas de festa, roupas para sair a noite, roupas para ir à igreja. As roupas de festa podem ser mais formais, de gala,  ou esporte fino. As roupas para sair a noite podem contemplar aqueles estilos com a finalidade específica de chamar a atenção na "balada", não são roupas que usualmente você usaria para ir ao supermercado.
  • Roupas para o lazer e para ficar em casa. Nesta categoria entram pijamas e roupas de clube.

Gente que é cosplay no dia a dia.
 Mas existem peças que oferecem um risco enorme de se tornarem um desperdício. São aquelas que compramos não porque elas se encaixam em uma das categorias práticas acima, mas porque elas viriam a satisfazer demandas de outra ordem: as peças de fundo emocional.

Dia a dia ideal, quem nunca?
 Peças que não servem mais, mas que um dia "irão servir", sabe aquela calça jeans menor? Então. Sabe aquele vestido de festa incrível? Ele seria mais incrível se você já não tivesse outros 15 no armários, e tivesse ido a menos de 3 festas no último ano. Muitas vezes compramos mais roupas para a vida que queremos ter do que para a vida que temos, e terminamos com um armário incrível para ocasiões que frequentamos pouco, enquanto repetimos até desmanchar certas peças no dia a dia. É uma questão de equilíbrio. O guarda roupa deve ser um reflexo das suas necessidades práticas, e não emocionais. É claro que peças de fundo emocional existirão no nosso armário, mas é ideal que elas tenham seu espaço, que não sejam a maioria, e que tenhamos consciência do que elas representam. Senão você corre o risco de ter guarda roupa bem legal mas andar como mendiga no dia a dia. Eu sei bem como é porque já passei por isso.

Roupas e make legais, mas guardados...
  Sabe aquela blusa/saia/vestido/batom/colar que ficou incrível na colega/amiga/moça da novela e que você compra mesmo sabendo que não costuma usar nada parecido? A chance desta peça ser incorporada ao seu guarda roupa é quase nula. Porque se você tivesse gostado dela porque ela combina com você o fato da fulana ter ficado bonita com aquilo não te pareceria tão importante. É claro que usamos as imagens das outras pessoas como referência, fazemos isso o tempo todo com as colegas/amigas/atrizes.Mas pense bem quando estiver comprando, vc está comprando porque isso combina com você ou porque estava bonito na fulana e você quer ficar bonita também? Faz toda a diferença, afinal a peça tem que combinar com você, com as suas especificidades, com seu estilo e suas cores. Já investi em maquiagens lindas, festivas, mas que se tivesse sido investimentos em peças mais básicas, condizentes com meu estilo, certamente teriam tido melhor custo benefício.

Não se deixe levar pelo que está exposto na loja...
Ter menos pode ser mais se significar que as peças serão mais usadas. Um batom de 80 reais que for usado até o final terá saído mais barato que um batom de 8 que foi usado só uma vez. É possível inclusive calcular este custo benefício dividindo o preço da peça pelo número de usos. Uma calça jeans boa de 200 reais que for usada pelo menos 60 vezes ao longo de um ano cada vez que você usar terá custado 3,33 reais. Por outro lado aquela blusinha de pano ruim que você pagou 10 reais e que não durará duas lavagens na máquina de lavar, terá custado por duas utilizações 5 reais a cada vez. O que saiu caro aqui? Eu pessoalmente acho uma calça de 200 reais cara, mas me parece que o "espírito da coisa" permanece. Se a peça é boa e o custo dela se levando em conta o número de vezes em que será usada for baixo, é um "caro que sai barato" como dizem por aí. E o contrário é verdadeiro, tem barato que sai caro.
Ou também use suas roupas phenas no dia a dia, nunca se sabe...
Se você tem muita peça, de muita coisa, primeiro você tem o problema de como tornar aquilo tudo visível. Aquilo que não vemos acabamos não usando. Depois tem o problema do desperdício, o dinheiro poderia ter sido revertido em algo mais interessante, como em um projeto de vida (casa, faculdade, viagem). Não interessa se você está numa situação financeira que te permita desperdiçar. Desperdício, especialmente quando fruto de esbanjamento, é algo de mau gosto, cafona, e, diante de um mundo com tanta gente com tão pouco, é também algo imoral.


Quando você compra algo com seu estilo aquilo combinará facilmente com o que você já tem, pois estará dentro da mesma proposta e dentro da mesma paleta de cores. Quando você conhece seu estilo você compra menos pois adquire peças que realmente está precisando, ou porque não tem ou para repor aquilo que acabou. Quando você tem intimidade com seus gostos e sua beleza natural você sabe que aquela roupa linda da vitrine não combina com seu tipo de corpo, ou a cor dele não te valoriza. Ou você já tem algo muito parecido em casa que já oferece o mesmo efeito. Elaborei algumas perguntas neste sentido para você se fazer quando for comprar algo:
  • Eu preciso disso?
  • Isso combina com meu estilo e as peças que já tenho em casa?
  • Eu já tenho algo parecido em casa que recria o mesmo efeito?
  • O material é bom e isso vai durar o suficiente para valer a pena comprar?
  • O preço está justo? Eu usarei isso com uma frequência que compensará a compra?
  • O tamanho está correto em mim e com o caimento perfeito? Ou é facilmente ajustável numa costureira e estou disposto a fazer isso?
  • A cor combina comigo e é uma cor que eu uso de verdade?
  • Comprar este item, neste momento, não vai me prejudicar economicamente? Será que devo esperar?
Se a compra sobreviver a todas as perguntas, pode chegar nela!
Eu ainda estou desenvolvendo meu estilo, mas já percorri parte do caminho. Certos modelos de roupas e cores eu nem experimento, o que me poupa tempo e dinheiro. É um exercício de auto conhecimento que leva tempo mesmo, até porque nosso estilo também é desenvolvido conforme a nossa fase da vida. Os "visús do dia" no blog são fruto das minhas experimentações, onde às vezes experimento pela primeira vez certas combinações.  Desenvolver um estilo é um processo, algo que adquirimos através do hábito, como em tantas outras áreas na vida. Bom fim de semana para você que chegou até o final do (longo,imenso,descomunal) texto de hoje!

domingo, 4 de agosto de 2013

Preto é básico... será?

 Roupas pretas podem possuir inúmeros significados, podem transmitir poder, ousadia, elegância, sobriedade, luto, humildade. O contexto e o modelo da roupa ajudam a determinar o significado do preto, mas o ponto comum  a todas as peças pretas é que não são peças discretas. Preto trás ao conjunto do visual um alto grau de contraste e  não são todas as pessoas que naturalmente harmonizam com ele.
Audrey Hepburn maravilhosa de preto!
mostrei aqui, de maneira introdutória, as paletas para os vários tipos de pele seguindo o sistema de Carole Jackson que é organizado pelas estações. O preto só está presente na paleta das pessoas cuja pele é caracterizada como "inverno". São pessoas cujo subtom da pele é predominantemente frio e que possuem alto grau de contraste natural. Segundo Carole Jackson inverno é a paleta das estações mais comum entre as pessoas. Existem pessoas caucasianas, asiáticas, negras cuja paleta ideal é a do inverno. São pessoas de sorte, preto é uma cor que não sai de moda e que transmite força.


O que acontece quando pessoas das demais estações usam preto é que elas podem sumir diante da atenção que o preto chama, e quem tem que aparecer é você, não é a sua roupa. A roupa deve ser uma moldura para sua beleza natural, deve ser um instrumento para te valorizar. Recentemente usei preto, mas não consegui deixar o conjunto do visual bonito até acrescentar um batom forte que resgatasse o foco da atenção para meu rosto. Isso era algo que eu já percebia intuitivamente mesmo antes de ler a respeito da análise de cores. Sempre acontecia de usar um batom forte junto do preto, sem o qual me sentia com cara de defunto. Assim:


Repito o que já disse aqui. Eu sei que ficou difícil saber quem é quem, mas a da esquerda é alguém sem vida, e a da direta é a Morte do filme "Sétimo Selo". Reparem como o preto "drena" minhas cores e me deixa pálida. Pessoas com o subtom amarelado perdem mais intensamente as cores que conferem o ar saudável quando na presença da roupa preta. Somado ao efeito visual do preto está seu significado de luto e seriedade que pode conferir um ar pesado e sério à fisionomia.


Preto é a cor do luto na Europa Ocidental, enquanto que em países do Oriente a cor relacionada ao luto é o branco. No Japão preto significa experiência enquanto que o branco simboliza ingenuidade. Por esta razão a faixa preta nas artes marciais é um sinal de realização e experiência, enquanto que a faixa branca é reservada para os iniciantes.  Por outro lado, na Europa preto também simboliza humildade e vida eterna, por esta razão é uma cor presente nas ordens religiosas cristãs. A morte é vista como uma "grande noite" e com a vida eterna, daí a razão para tantos padres e freiras usarem perto como sinal de renúncia aos prazeres mundanos. Ao mesmo tempo preto também era considerado uma cor elegante e estava presente nas roupas de luxo. Até a Primeira Guerra Mundial era comum pessoas com menos recursos se casarem de preto pois elas usavam a sua melhor roupa, sendo que frequentemente a melhor roupa que a pessoa possuía era em preto. Na Inglaterra Vitoriana preto era uma cor muito presente na moda possivelmente por influência da rainha, que após a morte do marido usou preto como sinal de luto até o fim da vida. Os puritanos ingleses no século dezessete usavam roupas pretas como sinal de austeridade.


Preto não é uma cor neutra. Na verdade é até difícil designar preto como sendo uma cor. Isaac Newton foi o primeiro a observar que a luz branca quando passa por um prisma (uma peça de vidro, ou gotículas de água como acontece no arco íris) se decompõe em setes cores visíveis aos nossos olhos. O branco é composto pela soma dessas cores, uma peça azul reflete azul, uma peça rosa reflete azul e vermelho, que são as cores que compõem o rosa. O preto absorve todas as cores e não reflete nenhuma, então pelo critério da física de se refletir cor ele sequer é uma cor. Por esta razão uma blusa preta esquenta mais que uma blusa branca, se você pretende usar uma roupa fresca e veranil é melhor optar pelo branco pois ela irá refletir a luz solar ao invés de absolvê-la.  Entretanto qualquer pessoa que já tenha brincado com tintas deve se lembrar que ao misturar vários pigmentos se atinge uma cor bem próxima do preto, o que deixa a questão ainda mais anti intuitiva. Chamamos preto de cor no dia a dia, então me parece que para fins práticos e triviais podemos sim chamar preto de cor. A discussão se preto é ou não cor pertence a alguns escopos, porém não está presente numa reflexão sobre quais cores harmonizam ou não com a pele. Ninguém chega numa loja de roupas e tem o seguinte diálogo: "Eu queria um vestido " "Temos de várias cores, qual você deseja?" "Ah, eu não quero um vestido com cor, quero em preto". No dia a dia chamamos esta "não-cor" de preto porque não estamos refletindo sobre a natureza do preto, mas sim tratando do preto que está presente na nossa percepção e linguagem. Percebemos ao preto da mesma forma que percebemos cores, e chamamos ele de preto. Dado que preto é uma cor tão polêmica, não apenas nas suas mensagens e significados, me pareceu  pertinente esta pequena digressão sobre o que é o preto.


Respondendo à pergunta do título: será que preto é básico? Sim e não. Na verdade mais "não" que "sim. Preto pode ser uma cor básica, no sentido de estar na base do seu guarda roupa, conforme a sua necessidade estética ou profissional,  ou etc. Sob este aspecto a resposta é sim, como poderia ser com qualquer outra cor, e como frequentemente é com o branco para as pessoas da área de saúde. Preto é uma cor essencial para quem possui estilo dramático. Preto ajuda a transmitir nas roupas uma ideologia ou jeito de ser, como no caso dos góticos e de tantos outros.


 Mas abstraindo-se do caso de uma necessidade, seja ela qual for, um guarda roupa baseado no preto, ou que gire em torno desta cor pode ser bastante tedioso.  E, se a sua intenção é usar roupas que te valorizem, possuir um guarda roupa voltado para o preto se torna ainda mais problemático porque existe a possibilidade de que o preto não esteja na sua paleta, e que ao usá-lo você não esteja conseguindo se valorizar como deseja. 


Eu sei que preto é uma zona de conforto "fashion" por assim dizer. Preto é atemporal. Esta blogueira aqui só usa preto e é inegavelmente linda e estilosa. Também é dito que preto emagrece. Eu mesma já usei muito preto, por várias razões, inclusive com a intenção de parecer mais magra. O que percebi com a minha longa experiência de alguém fora dos padrões e que jamais usou roupa tamanho 38 é que o que "emagrece" é uma roupa no tamanho adequado e com bom corte. Uma roupa preta num tamanho menor que o seu, por exemplo, não vai fazer nada por você, vai realçar tudo o que você quer esconder. Por outro lado, uma roupa no seu tamanho, com bom caimento, e com um corte que realce o que você tem de melhor e disfarce seus pontos mais sensíveis te deixará visualmente mais magra e elegante.


A mensagem que o preto transmite é de fato tentadora: elegância, seriedade e auto confiança. A minha resposta para isso é que são conceitos,  portanto é possível transmitir elegância, seriedade e poder com cores mais amigas, se preto não for sua cor. Existem maneiras de usar o preto mesmo quando  a sua paleta não se é a do inverno, mas uma outra saída é escolher uma cor perto do preto mas que não seja preto. Marinho, café e grafite são substitutos incríveis para o preto, e que juntos de um corte de roupa adequado podem também transmitir seriedade e auto confiança, só que desta vez combinados com a sua beleza natural. Assim você pode conseguir transmitir a imagem de elegância que o preto confere porém com uma cor que harmonizará melhor com a sua pele, para você não ficar com a fisionomia pálida e sóbria se a sua intenção não for esta.

 Aqui algumas opções, coloquei o preto no meio do gradiente para comparação:

Opções quentes ao preto

Opções frias ao preto
 Acredito que a ideia de que  o preto confere sempre elegância é um noção que precisa ser desconstruída. Elegância é uma ideia, não é uma relação automática com algo material como o preto. Vou dar o exemplo do nude. A cor nude não existe, e não importa que fabricantes de roupas e cosméticos batizem seus produtos de nude. Isso é um uso artificial do conceito nude, porque o nude não é uma cor mas sim um conceito, é um "espírito da coisa". Uma cor que seja nude em mim obviamente não será nude em mulher de pele negra. Nude é como chamamos aquela cor que se mescla à tonalidade natural da pele daquela pessoa específica, portanto nude varia de indivíduo para indivíduo. Assim como acontece com o nude, existem parâmetros para se determinar o que é elegante. Mas acredito que existem dois aspectos essênciais da elegância: harmonia e adequação. Pessoas consideradas elegantes usam cores e cortes que estão em harmonia com seu biotipo e que estão adequadas à circunstância (ex: usar roupa de gala em um lugar em que se espere isso). O preto, como se pode perceber, não é uma cor que fará todo mundo elegante. O seu preto básico pode não ser preto, você pode descobrir que seu preto básico é outra cor, como as opções que dei mais acima. Mas isso é algo que se descobre praticando o auto conhecimento, observando se a sua pele harmoniza com o preto ou não, e se o preto transmite a mensagem que você deseja, ou não. Afinal, não é para isso que servem as roupas e acessórios?


Atualização: mudei um pouco os gradientes porque algumas pessoas relataram problemas para abri-los, também mudei o formato do arquivo. Uma vez que precisei aumentar o contraste as cores ficaram menos parecidas com o preto, mas acredito que dá para ter uma ideia do que estou sugerindo no texto. Aqui:

Opções frias ao preto

Opções frias ao preto